Às vezes eu pensava que aprender a falar português era uma desculpa pra mim. A língua me dava demais. A gramática, as palavras. Tudo muito similar ao espanhol, meu primeiro idioma. Em específico, uma desculpa em comparação ao meu sonho de poder falar uma língua completamente nova.
Mas hoje preciso esclarecer que esse não é o caso. O tempo é curto, a energia finita, e a decisão é não seguir com as outras pra imergir-me na língua portuguesa.
Porque no momento estou num tipo de purgatório. Já consigo escrever e falar mais que um pouquinho, mas todavia estou na meia ronda. E a famosa curva S. O platô do potencial latente.
Pensei que, porque já consigo ter conversas, eu poderia passar à coisa nova.
E há mérito nisso. Aproxima pessoas e reduz as fricções da vida cotidiana. Na verdade, transforma como se pisa num lugar.
Mas sair agora seria interromper algo que ainda está a consolidar-se. O ganho maior, neste momento e neste contexto, está na continuidade, e o resto seria uma distração.
Porque as línguas são ferramentas pra fazer coisas no mundo. A invenção mais útil que a humanidade já criou. E acho que ainda não testei o português onde ele realmente importa.
Então é isso só. Largar o resto e focar no que fica, o português por agora. As outras ainda estão lá, como possibilidades bonitas.